O Comité de Classificações da WONCA ,
1972 - 1997,
25 anos ao serviço da medicina familiar.

Marc Jamoulle,Julho de 1997, traduzido e adaptado do francês por  Armando Brito de Sá 


Correio 
CISP-Club 
& CCW
 
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de autor 
Como funciona
a ICPC?
 
Livros e
publicações
 
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do CCW
Tabela da
ICPC
ICPC-2
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ResumoPalavras-chaveO Comité de Classificações da WONCA, um grupo de trabalho multinacionalConstrução da classificação ICPCDa ICHPPC(1976) à ICPC (1987)A ICPC e o episódio de cuidadosDa ICPC (1987) à ICPC-2 (1997)Outros instrumentos de investigação desenhados ou testados pelo CCW / Referências bibliográficas /
Resumo
Desde 1972 que o Comité de Classificações da WONCA produz os instrumentos necessários para a investigação em medicina geral e familiar. A International Classification of Primary Care (ICPC), sua principal criação, está disponível em mais de vinte línguas e encontra-se hoja na sua segunda edição. O Comité, verdadeiro laboratório de investigação metodológica, produziu ou validou outros instrumentos tanto no domínio da medição de resultados como no dos indicadores de gravidade. Depois de ter publicado um Glossário da medicina familiar, o Comité elabora um verdadeiro dicionário desta disciplina. É a história desta busca incessante que aqui é contada.

Palavras-chave 
Cuidados primários - Medicina geral e familiar - Metodologia de investigação - Classificação - ICPC - CISP - COOP/WONCA Charts - DUSOI



O Comité de Classificações da WONCA, 
um grupo de trabalho multinacional 


O Comité de Classificações da Wonca (CCW) foi criado pelo Conselho Mundial da WONCA em 1972 em Melbourne, durante a quinta conferência mundial de medicina familiar. A medicina geral e familiar tinha necessidade de instrumentos próprios e diversos autores Bentsen (1) , Bridges-Webb (2) , Westbury (3) , Sive (4) e muitos outros tinham já começado a trabalhar nesta área. Era necessário encontrar o meio de aplicar à medicina familiar o raciocínio segundo o qual não se pode descrever e transformar a realidade senão com base em factos. Esta afirmação necessita de colocar os factos em evidência, de os identificar e contar, de os submeter à lei dos grandes números antes de os analisar. Identificar, associar e contar são operações que apenas se realizam sobre elementos delimitados, previamente organizados e estruturados

 O primeiro grupo de trabalho era constituído por Charles Bridges-Webb (Austrália), Robert Westbury (Canadá), Philip Sive (Israel), Derek Gallagher (Nova Zelândia), Donald Crombie (Reino Unido) e Jack Froom (Estados Unidos). A partir dos trabalhos deste pequeno grupo foi progressivamente elaborado um instrumento hoje reconhecido como o padrão no tratamento da informação em Cuidados de Saúde Primários.

O CCW (Wonca International Classification Committee) inclui actualmente cerca de trinta médicos de família de 25 países e reúne-se todos os anos num lugar diferente do planeta. A maioria dos seus membros dispõe de correio electrónico  e a ICPC-L é uma lista de difusão que permite a todos os clínicos obter ou trocar informações sobre as classificações.

 O Comité intitula-se Comité de Classificações dado que essa é a sua actividade principal e contínua. Seria, contudo mais exacto denominá-lo Comité de Metodologias. Com efeito, o Comité contribui para a preparação e validação de instrumentos de investigação  necessários para o desenvolvimento da medicina familiar. O Comité responde igualmente ao pedido dos seus membros para testar internacionalmente instrumentos de investigação já aprovados localmente, como as COOP charts (5) e o Dusoi (6). . Os resultados destas experiências no terreno, transnacionais, multicêntricas e, por vezes, contando com mais de cem mil pacientes-contacto, são depois discutidos em reuniões anuais. Se o produto é aceite, por vezes transformado em virtude das observações dos membros, ele poderá então exibir a marca da WONCA, continuando a ser propriedade do grupo de origem. É impossível listar aqui todas as publicações que os trabalhos do Comité suscitaram ao longo destes 25 anos. Os mais importantes de entre eles poderão ser encontrados na  bibliografia.


Construção da Classificação ICPC

Uma das características essenciais da Classificação actual é a inclusão das queixas expressas pelos pacientes (Sinais e sintomas) e dos problemas de natureza social ( Capítulo Z). Foi a mudança de paradigma (ver o artigo Critiques et autocritiques) verificada na medicina e particularmente na medicina familiar que permitiu que a palavra dos pacientes entrasse num sistema de organização da informação quotidiana  (7). A legitimação da tomada em conta do campo social deveu-se igualmente a este movimento da ideia que coloca o paciente e não o médico no cerne da problemática da prestação de cuidados.

No início dos trabalhos do Comité, ninguém podia imaginar o desenvolvimento fulgurante da informática. Os principais autores eram adeptos do "papel e lápis" e faziam reentrar a epidemiologia pela porta das traseiras do suor da prática quotidiana. O sistema de Classificação não foi assim criado numa óptica de utilização informática de grande escala. A técnica papel e lápis exige uma boa capacidade mnemotécnica e é uma característica da classificação, que mantém todo o seu valor mesmo a partir do momento em que é incluída numa série de programas informáticos.

A informática pode tratar os grandes números. Contudo, continua a ser necessário alimentar o computador com matéria analisável. Tornar analisável o conteúdo de uma relação diagnóstica e terapêutica humana continuada ao longo do tempo, específica da medicina familiar, constitui o objectivo fixado pelos generalistas peritos da Organização Mundial dos Médicos de Família.


Da ICHPPC (1976) à ICPC (1987) 

Bent Bentsen, professor de clínica geral da Universidade de Trondheim na Noruega, foi um dos iniciadores dos promeiros trabalhos (8) publicados em 1976 pelo Comité de Classificações da Wonca sob o nome de International Classification of Health Problems in Primary Care (ICHPPC) (9)

 A ICHPPC era na realidade uma lista dos diagnósticos mais frequentemente encontrados em medicina familiar, elaborada muito rigorosamente a partir da oitava revisão da Classificação Internacional de Doenças (10).

A partir dessa época e ao ritmo das reuniões do Comité, os instrumentos de investigação sucederam-se e aperfeiçoaram-se. A ICHPPC foi revista e os seus termos foram definidos, sendo a ICHPPC-2-Defined  (11) poblicada em 1983 e traduzida para português pela APMCG em 1987. Duas outras classificações foram ainda construídas. Elas basearam-se nos motivos de consulta - Reason For Encounter Classification(12) e nos procedimentos - International Classification of Health Process in Primary Care (13) (IC-Process-Pc). Finalmente, as três classificações elaboradas pelo Comité foram fundidas numa única, a International Classification of Primary Care (14) (ICPC), traduzida pela APMCG como Classificação Internacional de Cuidados Primários em 1995 (28).

Ao lado destes documentos foram realizados instrumentos pedagógicos em vídeo tanto para treino de médicos (29) (Holanda) como destinados ao público em geral (30) (Noruega)

RFEC + IC-Process-PC + ICHPPC-2-D = ICPC

Esta montagem judiciosa está na base da  estrutura da ICPC . A Classificação Internacional de Cuidados Primários é desde então um instrumento de categorização global que permite aglutinar os três componentes principais da consulta.

A nomenclatura da ICPC foi testada no terreno por centenas de médicos de família e várias centenas de milhar de consultas foram registadas em todo o mundo, tendo servido para afinar este instrumento. Em 1987, o Comité publicava a International Classification of Primary Care na Oxford Medical Publications, sob a responsabilidade editorial de H.Lamberts, Maurice Wood e Inge Hoffmans-Okkes. A obra continha um quadro de conversão para a Classificação Internacional de Doenças, nona e décima revisões.


A ICPC e o episódio de cuidados

Em alguns anos a ICPC impôs-se rapidamente como um padrão de categorização da informação em Cuidados de Saúde Primários.Os trabalhos do ICPC European Workshop conduzidos entre 86 e 91 por H.Lamberts e suportados pela Comunidade Europeia permitiram que dezenas de generalistas europeus confrontassem as suas experiências respectivas.

 De Faro a Londres e de Pádua a Madrid, trocaram-se experiências e afinou-se o instrumento. Estes exercícios foram determinantes para a disseminação da ICPC na Europa. Eles permitiram igualmente testar a ICPC nas circunstâncias mais diversas. Um estudo multicêntrico dirigido por Inge Okkes permitiu validar o conceito de motivos de consulta  (15) e uma classificação de medicamentos (16) foi elaborada e testada por Jan De Maeseneer. (ICPC Drug Classification).

 No quadro desta colaboração europeia efectuou-se a tradução multilingue da nomenclatura durante uma reunião de uma vintena de generalistas de dez países efectuada em 1991. A torre de Babel num hotel de Londres. Esta tradução multilingue viria a formar a trama da Multi-language layerpublicada em 1993 na obra The ICPC in the European Community (17). Esta obra contém as experiências dos generalistas europeus, nomeadamente os primeiros resultados do Transition Project  (18) realisado em Amesterdão. Se bem que a ICPC seja apresentada como uma classificação, ela constitui igualmente um instrumento dinâmico de tratamento da informação por episódios.A sua característica mais marcante é a possibilidade de seguir a evolução temporal de um problema de saúde no interior de um contacto e entre contactos. É esta noção de episódio que melhor revela todo o poder da ICPC. O episódio de cuidados (19) é efectivamente a unidade de tratamento da informação em medicina familiar e Cuidados Primários. Isto torna-se claro quando se contacta com os programas informáticos Trans e Transhis. O programa didáctico Trans  (20) põe à disposição dos generalistas os resultados da codificação de mais de 100.000 contactos em medicina familiar em Amesterdão. Ainda em Amesterdão, o programa Transhis (21) concebido pelo Departamento de Clínica Geral (Prof. Lamberts) permite observar em tempo real não só a actividade prática da medicina familiar na Holanda como no Japão, na Polónia ou nos Estados Unidos.

 Na Universidade de Maastricht, uma equipa do departamento de medicina familiar dirigida por Job Metsemakers utiliza a ICPC para estabelecer o índice diagnóstico (22) da população e a base de dados assim construída é literalmente tomada de assalto por investigadores e doutorandos. Na Noruega, a ICPC é o instrumento de codificação de todos os formulários de invalidez e interrupção do trabalho. Na Austrália, foi efectuado um estudo  (23) por várias centenas de generalistas que providenciou sobre os motivos de recurso pela população ao sistema de saúde.

Assim, e pela primeira vez, a procura de cuidados pelos pacientes pode ser estudada tal como se exprime na realidade. A bibliografia de publicações, teses e artigos pedagógicos baseados na ICPC enriquece-se em cada dia que passa.

A nomenclatura da ICPC constitui hoje um padrão internacional cuja validade não é questionada. Está traduzide em mais de vinte línguas.

O livro ICPC foi traduzido para francês e publicado em 1992 com o nome de Classification Internationale des Soins Primaires  (24) (CISP). A nomenclatura francesa tinha sido já revista por um grupo de médicos do Quebec, Bélgica e França em 1991 durante uma reunião organizada em Bruxelas pela Fédération des Maisons Médicales (25). O livro ICPC foi igualmente traduzido e publicado em diversas línguas, entre as quais espanhol (26) e norueguês (27). A versão portuguesa, após validação da nomenclatura por um grupo de médicos de família sob a liderança de Júlio e Natália Saraiva, foi traduzida por Rui Pombal e publicada pela Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral em 1995 (28).

 Ao lado destes documentos foram realizados instrumentos pedagógicos em vídeo tanto para treino de médicos (29) (Holanda) como destinados ao público em geral (30) (Noruega)


Da ICPC (1987) à ICPC-2 (1997) 

A interpenetração da saúde mental e dos Cuidados de Saúde Primários é uma constante e a ICPC parece particularmente adeqauqda para gerir esse problema (31). Uma reunião de trabalho sobre este assunto (32) muito produtiva teve lugar em Washington em 1994 no NIMH. A ICPC parece ser complementar e compatível com os instrumentos da saúde mental como a DSM IV PC e a ICD-10 PHC.

 O problema da comparabilidade da ICPC com a Classificação Internacional de Doenças (33)preocupou sempre o Comité. Apesar de as duas classificações terem objectivos profundamente diferentes, foram feitos todos os esforços para manter essa comparabilidade. A versão de 1987 continha já uma tabela de transcodificação (34) com a ICD10 elaborada por Lamberts e Wood. A versão a publicar brevemente (ICPC-2) conterá mais uma tabela de transcodificação artigo a artigo.

Além disso, a necessidade de diminuir as dificuldades ao utilizador impõe tornar a codificação tão transparente quanto possível. A solução é o desenvolvimento de uma terminologia que torne intuitiva a interface com o utilizador que usa diariamente a ficha clínica informatizada. No Canadá, na Austrália e na Bélgica, vários investigadores têm abordado esta dificuldade. 

  • O EncodeFM é um sistema desenvolvido pelo Dr.Bob Bernstein de Ottawa e que oferece uma terminologia extensiva (35), em inglês e francês, com transcodificação para a ICD-10.
  • No Quebeque, a equipa de Guy Lavoie criou, a pedido da Régie d'Assurance, um banco de dados terminológico com 14.000 termos (36)utilizado no « Carte Santé» (Cartão de Saúde) .

  • A ICPC-Plus é produzida pela Family Medicine Research Unit, dirigida pela DrªHelena Britt da Universidade de Sydney. Além de um banco de dados de terminologia alargada (36) e transcodificação, a ICPC-Plus oferece um serviço de apoio à codificação e tratamento da informação.
  • O LOCAS é um banco de dados terminológicos (37) em francês elaborada Michel RolandMarc Jamoulle e Bernard Dendeau no quadro das suas actividades de investigação no âmbito da Fédération des Maisons Médicales de Belgique. A particularidade desta base reside no facto de os termos classificados segundo a ICPC estarem padronizados.
  • O problema das definições foi o que mais exigiu dos membros do Comité. Desde há cinco anos que as reuniões anuais são largamente consagradas à revisão de cada código e à elaboração de critérios de inclusão e de exclusão. Este trabalho considerável foi levado a termo com sucesso graças à tenacidade do Professor Charles Bridges-Webb da Universidade de Sydney, presidente do Comité de Classificações, e dá uma nova dimensão à International Classification of Primary Care Second edition (38) (ICPC-2). .


    Outros intrumentos de investigação desenvolvidos ou testados pelo CCW 

    O Comité de Classificações ainda produziu ou validou outros instrumentos de investigação em medicina familiar.
  • O Glossário Internacional de Medicina Geral e Familiar (39) foi editado em nome do Comité de Classificações por Niels Bentzen e Charles Bridges-Webb em 1995. Este glossário foi publicado na revista Family Practice. A necessidade de se desenvolver uma terminologia específica fez-se sentir ao longo de todo o processo de construção da ICPC. Os primeiros elementos desse glossário tinham sido publicados em 1983 na International Classification of Health Problems in Primary Care (ICHPPC-2d). O glossário actualmente disponível é o prelúdio a um verdadeiro dicionário de medicina geral. A versão portuguesa foi publicada pela APMCG em 1997 (39bis) .
  • O Comité está também preocupado com os indicadores de estado funcional dos pacientes. As cartas COOP/WONCA, initialmente preparadas pela COOP Primary Care Network,, um grupo de médicos de família de Dartmouth (Estados Unidos), para avaliar o estado de saúde dos idosos, foram testadas, aprovadas e publicadas pelo Comité de Classificações  (40). Estão hoje publicadas em mais de vinte línguas (41). A versão em português pode ser obtida através da  APMCG.
  • O formulário de avaliação DUSOI é um instrumento de apreciação da gravidade de problemas de saúde aplicável à prática clínica (42). Trata-se de um índice complexo, primeira tentativa para quantificar o qualificável em medicina familiar. Foi elaborado por  Georges Parkerson Jr, na Duke University (Durham, Carolina do Norte, Estados Unidos) e posteriormente testado e aprovado pelo Comité.
  • Seja no domínio da transcodificação ou no dos processos, o trabalho não falta. O Comité continuará no futuro a trabalhar para pôr à disposição dos médicos de família os instrumentos pertinentes de qualidade tanto para a investigação como para a organização e gestão da prática clínica.


    Referências bibliográficas 

    1. Bentsen BG. Illness and general practice. A survey of medical care in an island population in South-East Norway. Oslo: Oslo University Press, 1970
    2. Bridges-Webb C.Classification of disease in general practice. Paper presented at the International Workshop on General Practice Research, Melbourne, 1972.
    3. Westbury RC.A plan to develop an international classification of disease in family medicine. Paper presented at the International Workshop on General Practice Research, Melbourne, 1972.
    4. Sive P & Spencer T. Classification for cooperative morbidity survey, Unpublished, 1972.
    5. Nelson EC, Wasson J, Kirk J et al. Assessment of function in routine clinical practice. Description of the COOP Chart method and preliminary findings. J. Chron. Dis. 1987(40(suppl.1)): 55S-66S.
    6. Parkerson GR Jr, Broadhead WE, Tse C-KJ. The Duke Severity of Illnes Checklist (DUSOI) for measurement of severity and comorbidity. J. Clin.Epidemiol. 1993;46:379-393
    7. Engel J L. How much longer must medicine's science be bound by a seventeenth century world view. in: White K L. The task of medicine. Dialogue at Wickenbourg. The Henry J. Kaiser Family Foundation ed. Menlo Park, California; 1988: 113-136.
    8. Bentsen BG Classifying of health problems in primary medical care, in : An international classification of the health problems of primary care (ICHPPC). The Journal of the Royal College of General Practitioners. Occasional paper 1; 1976 Dec.
    9. Classification Committee of WONCA, An international classification of the health problems of primary care (ICHPPC). The Journal of the Royal College of General Practitioners. Occasional paper 1; 1976 Dec.
    10. World Health OrganisationManual of the International Statistical Classificcation of Diseases, Injuries and Causes of Death. (8th revision). Geneva;WHO, 1967.
    11. Classification Committee of WONCA WONCA. International Classification of Health Problems in Primary Care, 2nd ed.,defined (ICHPPC-2d). Oxford University Press; 1979.
    12. Lamberts H; Meads S; Wood M. Classification of reasons why persons seek primary care: pilot study of a new system. Public Health Report.; 99: 597-605. 1984
    13. Classification Committee of WONCA. International Classification of Process in Primary Care (IC-Process-PC). Oxford: Oxford University Press; 1986.
    14. Lamberts H; Wood M (eds). International Classification of Primary Care (ICPC) :Oxford University Press; 1987.
    15. Hofmans-Okkes I M. Op het spreekuur. Ordelen van patiënten over huisartsconsulten. (At the GP's surgery. View of patients about seeing their GP; with a summary in english) [Ph.D Thesis.University of Amsterdam]. Meditext, Lelystad; 1991.
    16. De Maeseneer J. The ICPC Classification of Drugs. in: Lamberts H, Wood M. ,. Hofmans-Okkes I. (Editors). The International Classification of Primary Care in the European Community. : Oxford Medical Publication; 1993: 163-170.
    17. Lamberts H; Wood M; Hofmans-Okkes I (Editors). The International Classification of Primary Care in the European Community. : Oxford Medical Publication, 1993.
    18. Lamberts H. In het huis van de huisarts. Verslag van het Transitie project.(In the GP's home. A report of the Transition project). Lelystad: Meditekst; 1991.
    19. Lamberts H ; Hofmans-Okkes I. The core of computer based patient records in family practice;episodes of care classified with ICPC. Int J. Biomed Comp, 1996;42;35-41
    20. Oskam SK. TRANS. An interactional access programme for the standard reason for encounter, diagnosis and process output of the Transition Project. Department of general practice/family medicine, University of Amsterdam, 1992
    21. Oskam SK. ? Transhis. Department of general practice.University of Amsterdam?
    22. Metsemakers JFM et al. Health problems and diagnoses in family practice. Registration network family practice. [Monography]. Department of General Practice: University of Limburg; 1992 Mar. 23p.
    23. Bridges-Webb C. Assessing health status in general practice. The Medical Journal of Australia. 1992 Sep 7; 157: 321-328.
    24. Jamoulle M; Roland M. Classification Internationale des Soins Primaires (CISP). (traduite de l'anglais, annotée et mise à jour): WONCA ed. Lyon: Lacassagne; 1992.
    25. Jamoulle M. Nomenclature abrégée de la CISP extraite du "Multilanguage layer of ICPC" [sous forme imprimée et électronique]. in: Lamberts H; Wood M; Hofmans-Okkes I (Editors). The International Classification of Primary Care in the European Community. : Oxford Medical Publication; 1993: 174-219.
    26. Equipo Cesca, Classificación Internacional en Atención Primaria (CIAP) Masson, Barcelona, 1990
    27. IBentsen BG, (ed), ICPC. ICHPPC-2-Defined. IC-Process-PC. Klassifikasjoner og definisjoner for primærhelsetjenesten (Classifications and definitions for primary health care). Oslo: Tano Forlag, Norsk selskap for almenmedisin, 1991.
    28. Comité de Classificações da WONCA. Classificação Internacional de Cuidados Primários. Lisboa, APMCG, 1995.
    29. Jamoulle M; Roland M; Beaulieu MD.Entraînement à la CISP, Cassette vidéo,1h10'. Department of Family Practice, Amsterdam, 1993. (Training videos also available in English and Dutch)
    30. Bentsen BGInternational Classification of Primary care, A new language for general practice/family medicine, Department of General Practice, University of Trondheim, 1994, Video,30'
    31. Hofmans-Okkes IM; Lamberts H. The Classification of mental health problems in family medicine and in psychiatry. in: State of the art in clinical psychiatry. Amsterdam: Benecke consultants; 1996 Feb: 4-28.
    32. Jamoulle M; Roland M. Santé mentale en soins primaires, une autre santé mentale ? Exposé présenté au National Institute of Mental Health (NIMH), Defining mental health problems in primary care, working meeting, Washington, July 21-22, 1994. Courrier de la Fédération des Maisons Médicales. 1994 Nov(97): 18-23.
    33. Organisation Mondiale de la Santé. Classification statistique internationale des maladies et des problèmes de santé connexes. Dixième révision. Volume 1. Genève; 1993.
    34. Wood M, Lamberts H, Meijer JS, Hofmans-Okkes I. The conversion between ICPC and ICD-10. Requirements for a family of classification systems in the next decade. Fam Pract. 1992;9(3):340-8.
    35. Bernstein WMEncode-Fm. Version 2.0. Ottawa,Canada: Insite-Family Medicine Inc.; 1996.
    36. Britt H, Miller G. ICPC Plus, Family Medicine Research Unit, Department of general practice, University of Sydney, Australia ,1996.
    37. Roland M., Jamoulle M., Dendeau B., Approche taxinomiques en médecine de famille assorties d'une terminologie standardisée et classifiée selon la CISP à usage informatique en soins de santé primaires, Care Editions, Bruxelles, 1996.
    38. Classification Committee of WONCA. International Classification of Primary care Second Edition (ICPC-2), Oxford University Press, 1998 (Forthcoming)
    39. Bentzen N (Editor),Wonca Classification Committee. An International Glossary for General/ Family Practice. Family Practice. 1995 Sep; 12(3): 341-369.

    40. 39 bis Comissão de Classificações da WONCA. Glossário para Medicina Geral e Familiar. Lisboa, APMCG, 1997.
    41. WONCA Classification Commitee. Functional Status Measurement in Primary Care. : Springer-verlag; 1990.
    42. Scholten JHG., Van Weel C. Functional Status Assessment in Family practice. The Dartmouth COOP Functional Health Assessment Charts/WONCA. Lelystad: MEDItekst; 1992
    43. Parkerson GR Jr, Bridges-Webb C, Gervas J, Hofmans-Okkes I, lamberts H, Froom J, Fischer G, Meyboom-de Jong B, Bentsen B, Klinkman M and De Measeneer J. Classification of severity of health problems in family/general practice : an international trial; Fam. Pract. 1996;13:303-309
    Para saber mais sobre a ICPC e o CISP-club, contactar :
     
    . M. Jamoulle 
    Rue Frère Orban 
    B-6040 Jumet( Charleroi
    J. Humbert 
    9, rue du 8 Mai 
    F-85230 Beauvoir sur mer
    tél. +32 71 37 14 12 (dom.) 
    +32 71 28 55 77 (bur.)
    +33 2 51 49 45 51 (dom.) 
    +33 2 51 68 70 23 (bur.) 
    fax +32 71 28 55 70 +33 2 51 68 76 05
    courriel marc.jamoulle@ulb.ac.be jhumbert@imaginet.fr
    http://www.ulb.ac.be/esp/cisp

     

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